abril 04, 2006

Vida além da morte

categoria: Pintura
Impression: Sunrise [1873], Claude Monet

A
14 de Novembro, Paris dá à luz um amante de nenúfares. Cinco anos volvidos, o rebento Claude Monet parte com a família para Le Havre, onde cria as memórias presentes da infância. Dois anos após a morte da mãe, os 19 anos de Monet regressam a Paris na companhia da irmã Louise. Decide estudar arte, após uma primeira experiência pouco motivante com o ensino. “A escola teve sempre em mim o efeito de uma prisão e nunca me consegui habituar à ideia de lá passar nem que fossem quatro horas por dia. Sobretudo quando o sol estava convidativo, o mar estava belo e sabia tão bem andar a correr sobre as falésias, nos grandes espaços ou então a andar a brincar na água”, solta sobre as vivências em Le Havre.

Em 1870, casa com Camille, que passeia em obras como “The Walkers”. A vida traz-lhes dois filhos, Jean e Michel. Oito anos mais tarde, Camille morre. “Impressão: nascer do sol”, de 1873, apresenta-se por entre o amor de ambos em vida e dá designação ao “Impressionismo”.

Após a depressão que se socorre do trabalho, 1892 traduz-se num segundo casamento. Alice, que tinha igualmente perdido o cônjuge, torna-se na segunda esposa de Monet. Blanche, filha da nova mulher, faz crescer a família. Jean e Blanche acabam por se casar mais tarde.

À perda de visão que se vai acentuando, soma-se um novo desgosto ao tormento de Monet: Jean morre em 1914. Até ao fim da vida, que se faz sentir 12 anos mais tarde, Blanche acompanha o padrasto no desgosto e ajuda o artista nas vicissitudes caseiras.

A 5 de Dezembro de 1923, uma encomenda suspende-se à porta de Monet: um lote de nenúfares japoneses, os que mais lhe compõem a alma, são entregues. Um dia depois, mais uma morte, desta vez a sua, vítima de cancro no pulmão. A única a que a luz da sua pintura não consolou a dor. Mas talvez já não fosse pertinente.

publicado por Germano • abril 4, 2006 03:31 PM • TrackBack


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